Minha pesquisa artística é uma longa trajetória em reverência aos nossos antepassados e acontece na conexão com o tempo. Com o passar do tempo; o tempo como mecanismo; o tempo como vertical e não horizontal; considero que estar no presente é também estar no passado e no futuro, que estamos alterando a forma como entendemos e co-criamos o passado e também alterando o futuro pelas nossa ações no presente, e por consequência por quanto consciente do nosso presente estamos.

Para essa consciência do presente, vejo como fundamental olhar para trás e entender nosso passado, nossos ancestrais, as decisões que foram feitas antes de nós e que carregamos.

Como somos seres humanos que carregamos tantas e tantas informações desde que nascemos, carregamos os ensinamentos, medos e histórias dos nossos ancestrais, tal como carregamos o que nos foi ensinado e imposto pela sociedade, por padrões de comportamento, pelo sistema de educação, pela mídia, pela família, por expectativas..... como nos conectar dentro de tudo isso com o que somos, indivíduos com plenas capacidades de escolha e livre arbítrio para além de tudo isso; porém inclusos a tudo isso, capazes sim de mudar o curso da história por nossas decisões e ações do presente.

Meu trabalho artístico busca trabalhar com esse tempo, com a memória no sentido da memória que é criada no presente. Com a evocação da memória através de objetos ou histórias, ou imagens que despertam o passado, ou que causam essa ‘volta’ ao tempo, esse mergulho dentro de nossa própria história que é tão individual e particular porém também é coletiva.

Meu olhar para tudo isso é multimídia. Sinto que as mídias de vídeo, som e projeção – que é imaterial e material – trazem a qualidade de tempo e memória de uma forma palpável, minha poética se encaixa nessa linguagem. Trabalho incluindo objetos e muitas vezes O CORPO, que por sua vez evocam memórias, ou fazem um paralelo com a imagem projetada, um diálogo entre o presente e o que poderia ter sido, ou o vir-a-ser.

A poética se dá algumas vezes por adentrar cenários mais densos que aconteceram no curso da humanidade ou por adentrar universos pessoais.

Independente de ser uma memória pessoal ou coletiva, o olhar sempre acaba buscando explorar camadas de espaço-tempo e questionamentos como a evocação da memória através de objetos e a subjetividade da memória.